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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Gilberto Gil (08/06/2013)

Se nos dissessem que teríamos que esperar por 5 horas para tentar falar com Gilberto Gil talvez não tivéssemos paciência ou ânimo. Porém, como alguém uma vez proferiu: “O universo conspira a favor”. Aguardamos em frente ao hotel, conversamos com músicos, assessor de imprensa, filho do artista (Bem Gil), tudo na tentativa de uma palavra com Gilberto Gil para o nosso recém-criado CULTURA EM DOBRO. A informação mais segura que conseguimos foi a de esperar até a passagem de som no final da tarde e participar da coletiva com os demais veículos de imprensa. Detalhe: nisso ainda era meio dia. Olhamos um para o outro e ao mesmo tempo dissemos: - Vamos aguardar.

Nesse relato poderíamos pular e ir direto para o papo com Gil, mas perderíamos bons assuntos e curiosidades. Durante a espera fizemos amizades com Giovana e Elliz (da equipe da Feira do Livro), encontramos a simpática Mara Cabral e seu filho Victor, padrinhos do  psiquiatra Flávio Gikovate (palestrante também da Feira) e até orientamos Bem Gil onde encontrar bons discos de vinil para sua coleção.

Por pura coincidência, o mesmo hotel era também de algumas bandas que tocariam no Festival João Rock, que aconteceria na mesma noite em Ribeirão Preto. Cone Crew, Natiruts, Planta e Raiz e Autorama eram algumas dessas bandas, que confesso mal sabia os nomes dos integrantes, mas mesmo assim alguns garotos sabiam e aguardavam na porta do hotel em busca de fotos, autógrafos ou pelo menos uns acenos. Aqui cabe uma observação que talvez seja o retrato do atual momento em que vivemos: Gilberto Gil com 50 anos de carreira e muita história para contar atraía apenas esses 2 jovens repórteres e fãs e mais um rapaz que apareceu depois querendo entregar lembrancinhas ao ídolo. E mais ninguém.
Voltando ao nosso caso, por conta do evento de rock tivemos a chance de conhecer Murilo Couto (“Agora é tarde”) e Mauricio Meirelles (“CQC”), que cobririam os shows para seus respectivos programas. Aliás, Mauricio nos deu uma divertida entrevista que você poderá acompanhar em breve aqui no CULTURA EM DOBRO.

Nesse meio tempo a hora passou e Gilberto Gil desceu para o almoço, já por volta de 3 da tarde. Quando a chance apareceu nos apressamos para registrar pelo menos uma foto, afinal a entrevista já tínhamos combinado com Marcus Vinicius (assessor) que seria mais tarde. Durante o momento “tiete”, consegui relatar a Gil que por sorte minha ou precisão de meus pais nasci no mesmo dia que ele. Com a calma baiana de sempre ele me respondeu: - Dia 26 também? Então tá chegando hein... Realmente, daqui alguns dias chego aos 27 e o mestre do Tropicalismo aos 71.
Primeira batalha concluída, tratamos de acompanhar a passagem de som para tentar vencer a “guerra”. No parque Maurilio Biagi aguardamos das 4 às 5 horas um mini show do cantor sob olhares de 100 felizardos que cantavam e aplaudiam a cada acorde.  Não nos cabe aqui contar algumas dificuldades enfrentadas como discussões com segurança mal educado ou pouco caso de pessoas que se acham mais importantes que o artista (os “famosos quem?”).

Enfim, já dentro do espaço reservado e avistando o artista, esperamos pacientemente um casal entregar a ele uma monografia de uma universidade de São Carlos e uma pinguinha de Muzambinho, terra natal do rapaz. Pronto, chegou nossa vez de entrevistá-lo. Olhamos para os lados e nenhum outro veiculo de imprensa, nem mesmo os organizadores, que gravariam com ele um registro ou coisa parecida. Como mais tarde, sabendo da história, meu pai bem descreveu: - Foi a famosa coletiva do eu sozinho. O papo com Gil você confere com a gente em breve, após algumas melhoras no áudio. Aqui só cabe um registro: o assessor Marcus Vinicius nos pediu para fazer duas ou três perguntas rápidas, mas como não é sempre que temos a chance, fizemos quatro e longas, que muito gentilmente foram respondidas.

Entrevista em mãos, hora de descansar e aguardar o show às 9 da noite no mesmo parque. Gil começa tocando “Realce”, depois agradece Ribeirão e faz elogios a eventos culturais como a Feira do Livro. Engata uma sequência de “Tempo rei” e “A novidade” e anuncia (e precisava?) que ali começava um pouco de Bob Marley, levando o povo ao delírio. “Não chore mais” (versão de Gil) e “Is this love” foram as escolhidas. Depois colocou todos para dançar com “Esperando na janela” e “Vamos fugir”. E dá-lhe mais Bob com “Three little birds”. Nesse momento ele faz menção ao poeta Thiago de Melo que estava presente ao show e oferece ao escritor as duas próximas canções: “A paz” e “Drão”. Já com quase 50 minutos de show, Gil embala os fãs com “Refazenda” e “Chiclete com banana”. Algumas pessoas já pediam uma ou outra música sucesso com medo que o show terminasse. Mas calma, ainda teríamos tempo para sucesso como “Aquele abraço” (com direito a “Alô torcida do Comercial e Botafogo” no lugar de Flamengo) e “Andar com fé”. No “Punk da periferia” fez todo mundo cantar que era da Freguesia do Ó e na sequência com “Nos barracos da cidade” outra vez os gritos com “gente estúpida, gente hipócrita”.

Nesse instante a primeira despedida do artista, que claramente voltaria para o BIS. Dito e feito, “Madalena” e “Toda menina baiana” fecharam a noite. Ah, não podemos esquecer da menção e elogios feitos por Gil ao ribeirãopretano Kiko Zambianchi, que segundo ele o visitava no antigo Umuarama hotel quando esse visitava Ribeirão para shows na Cava do Bosque.
Fim de show, 18 músicas depois e mesmo com as ausências de “Domingo no parque”, “Expresso 2222”, “Sítio do Pica-pau amarelo” e outro sucessos, tivemos a certeza de que esse show entraria para a galeria dos melhores que já vimos. E que venham os próximos...


Obs: Bem Gil ao pedir informações sobre onde encontrar discos de vinil voltou com dois exemplares, mas não de seu pai, e sim de Ronnie Von e Odair José. Dois clássicos.





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